Pois é, meus últimos dias de Manaus, e não consegui ver o boto... Eram muitas horas de viagem até Nova Airão, e sei lá, desencanei, ia deixar pra Santarém... Daí, acabamos indo ver o encontro das águas (o que foi bom, esperava ver na viagem pra Santarém, e lá o rio estava todo virado... ). É interessante, a paisagem é bonita, é o passeio mais turista, mas estava de bobeira.
Daí descobri que muito do que vendem em Manaus é fake. As vitórias-régias me pareceram fakes, a cobra, totalmente fake, e a preguiça, e o jacaré amordaçado que nem tive coragem de por a foto. De repente, a gente tem muita vontade de se envolver com a selva, mas cai na real que talvez ela não queira se envolver com a gente. Todo mundo vê jacaré, mas ninguém vê onça. Esse animais que tiramos fotos são escravizados por crianças, provavelmente escravizadas pelos pais, provavelmente escravizadas por uma miséria que a gente não entende... Me senti bem mal em participar desse círculo vicioso - eu fui escravizada pelo meu consumo de turismo, pelo desejo do exótico que hoje sei que não quero fazer parte de verdade - é bom de olhar, mas não viveria esse mundo. Manaus é outro mundo, e apesar de me esforçar, não fui capaz de apreender qual é a Amazônia de verdade. Por isso se um dia puderem, venham e me contem.
Mas como a Mary Fran mandou eu desencanar, deixei de sofrer, me consolei com o fato de que pelo menos peguei a cobra, e continuei. No último dia de Amazonas, fomos para Presidente Figueiredo, onde a cidade é bem mais bonita que o nome, conheci pessoas bacanas, fui nas cachoeiras, e nada de boto... Só isso me entristece... Até mesmo porque ele podia virar um moreno alto dos olhos verdes... único boto que vi foi o Ricardo, meu companheiro de viagem, que de tanto sol ficou cor-de-rosa... Mas não vale... Cést la vie! A próxima parada foi Santarém, já terras do Pará!

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