terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O Navio Santarém



"Nobady said it was easy, but no one ever said it would be this hard..."





Pois é, meu amigo Helter havia me avisado que o barco para Belém não seria melhor que o de Borba... Eu acreditei, mas a gente nunca está muito preparado para a catastrofe...
Pois é, fomos cedo, atamos a rede, e foi entrando gente... E entrou gente, e entrou mais gente... E estávamos já todos bem unidos, quando um cara da tripulação queria enfiar a rede de uma mulher com duas criancas atravessado por cima da gente... e eu falei que não dava, e ele começou a gritar, e eu disse que eu também tinha pago a passagem que o lugar ali era marcado (e era, mas eles não respeitam) e ele disse que eu era uma folgada, e eu disse que não ia discutir com ele, que queria alguem que mandasse, e ele falou que ia mandar o gerente me por pra fora do barco... Como eu nunca tive medo de gerente... Mandei ele por mesmo, e virou uma zona, e conheci o comandante, os camareiros, os fantasmas do barco, só o gerente sumiu... Daí o pessoal arrumou outro canto para a mulher, e eu tentei ligar nas capitania dos portos, mas o numero disponível no barco era invalido, e depois de ficar duas horas numa fila pra trocar a passagem que ja tinha pago, o pilantra veio doce querer me passar na frente... Rapaz, o que magoa não é o aperto, é a desorganização... As pessoas são totalmente maltratadas, eles tratam todos como nada (na hora de embarcar, de dar a comida), e ninguem reclama!!! É todo mundo muito simples, um povo lindo que não merecia ser tão desrespeitado. Era só alguem gritar um pouquinho com eles... Alguém precisava fazer a revolução por aqui... Um rapaz da tripulação me contou que tinha pelo menos trinta pessoas acima da lotação máxima (e deve ter um monte de gente naquela zona que não paga e não entra na contagem...)
Engraçado - o Nordeste é difícil porque falta água, comida, etc... Aqui não falta água, não falta comida, falta definitivamente educação e vontade política. Olhando a cara dos gringos naquela zona, eu fiquei com vergonha de ser brasileira.
A zona que é a capitania dos portos no norte do país é nojento. E esse povo não tem opção de escolha, não pode pegar outro barco, cada um paga um valor diferente na passagem (sabe o quer pagar quanto?) e não tem outra forma de viajar. Como turismo é uma grande experiência, para perceber que não temos um Brasil, mais vários, e arrisco dizer que injusto em vários aspectos diferentes. De nada vale ter a melhor vista, se o povo mesmo, é invisível.
Mas consegui viajar, até Santarém. Cansativo, difícil, desconfortável, a comida meia boca. Mas o melhor pôr-do-sol, o céu mais estrelado, e de vez em quando a rede balança, e ouvi muitas histórias, e conversei com muita gente bacana, me contaram algumas mentiras, me diverti com todas elas... É assim bem marcante. E depois de muita luta e bons momentos chegamos em Santarém, pra uma grande surpresa.... Entretanto, nada de boto... Aiaiai

2 comentários:

Unknown disse...

Minha querida, adoro ler suas narrações, me divirto muito, dinâmico, quase sinto o balançar do barco, o incômodo com as redes, o aperto. Por isso adoro vc. Beijo no coração, saudades. Fer para Fer.

Valéria Freire disse...

Maninha , realmente o rapaz da rede não teve noção qdo disse , justo a vc , que iria chamar o gerente ... rsrsrs....
Mas tirando os contra-tempos, diga-se de passagem, tornam as viagens mais atrativas, creio que vc realmente descobriu o Eldorado...
Qto ao boto.. não desanime, ele há de aparecer ...
Beijos enormes meu e do Pedro